EDUCAÇÃO EM UMA SOCIEDADE DE CLASSES
A EDUCAÇÃO DO HOMEM ANTIGO
(ESPARTA E
ATENAS)
Segundo
Ponce, a passagem da comunidade primitiva para sociedade dividida em classes exige
algumas advertências previas para não incorremos em erros muito comuns. Quando
estudamos as origens das classes sociais, temos a tendência de supor que logo
em seguida aparece a luta consciente entre essas classes.
Essa luta
dessas classes propriamente dita não se desenvolveu, somente com a evolução
dessa sociedade.
Quando os
gregos entraram para história, restavam apenas alguns vestígios do comunismo
primitivo. O matriarcado foi substituído pela autoridade paterna ou, o que vem
a dar no mesmo, que a propriedade coletiva foi vencida pela privada.
Desde o século
X até o VIII a.C As tribos gregas viviam quase exclusivamente da agricultura,
ainda não se havia comercio na Grécia. Partir do século VII a.C com aumento do
trabalho do rendimento humano a economia começou a suplantar a puramente
agrícola.
Nesse
momento começou a se produzir com fins lucrativos. O escasso desenvolvimento
dos meios de produção não permitia jançar no mercado um grande excedente de
produtos. Partir do século V a.C a exigência de um comercio mais florescente impuseram
duas inovações de enorme importância a cunhagem de moedas e o aperfeiçoamento
dos aparelhos de navegação.
Emprestando
dinheiro sob hipoteca, o nobre que já era dono de muitas terras ia-se
assenhoreando das terras alheias. O cidadão pobre que perdera suas terras
poderia considerar-se feliz se lhe permitisse continuar cultivando em sua terra.
Possuidor de
terras, proprietário de escravos e guerreiro, eis aí o homem das classes
dominantes.
Esparta
Apesar de
donos da terra os Espartanos não podiam vende-las, como retribuição pelo
usufruto da terra, os Espartanos se comprometiam a prestar serviço
especialmente guerreiro, de que sua classe social necessitava para defesa ou
expansão.
Com aumento
da riqueza, o número de escravos cresceu rapidamente de tal modo que para cada
cidadão livre existe equivalente a dezoito escravos. (PONCE pp35 a 51)
Atenas
A educação ateniense, embora apresente diferenças significativas se
comparada com Esparta, também apresentava como objetivo principal formar o
homem da classe dirigente.
No princípio, a educação dos filhos de proprietários se fazia lado a
lado com os escravos, que ainda não eram numerosos. Na medida que as
propriedades se expandiram, bem como o número de escravos, a educação se fez de
forma separada.
Da mesma forma que os espartanos, havia o desprezo pelo trabalho manual,
considerado como algo de escravos.
No entanto, com o crescimento econômico dos comerciantes e
“industriais”, verifica-se o surgimento de um novo tipo de educação que
desprezava as antigas tradições aristocráticas.
Era o momento de ascensão da democracia ateniense, que desprezava a
maioria da população, mas que permitia a participação de segmentos não
aristocráticos na vida política.
Ainda que
submetidos a uma disciplina menos brutal do que a imperava em Esparta, os
jovens Atenienses também consideravam a guerra como a sua ocupação fundamental,
e o despotismo como a mais perfeita forma de governo.
A “liberdade
de ensino não implicava por tanto, a liberdade de doutrina. O professor não
moldava seus discípulos de acordo com suas próprias concepções; devia formar
neles futuros governantes e inculcar neles, pela mesma razão, o amor à pátria as
instituições e aos Deuses.
O Estado
impedia a entrada nos ginásios dos jovens que não haviam frequentado as escolas
e as palestras particulares. Com isso, o Estado que estava a serviço da
aristocracia latifundiária, conseguia preencher os seus objetivos fundamentais:
só por exceção é que os pequenos proprietários conseguiam custear os estudos
dos seus filhos até os 16 anos, de idade em que ingressavam no ginásio, e, como
era elegível para s cargos estaduais os jovens que haviam passado pelo ensino
do ginásio, compreende-se que os resultados do ensino “livre” tenha sido a
concentração dos cargos existentes nas mãos das famílias nobres.
(PONCE,
2001, p. 50)

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